Os resultados do Censo 2022 sobre tempo de deslocamento casa-trabalho foram divulgados pelo IBGE em 9 de outubro de 2025. Segundo a divulgação, a maioria dos trabalhadores gasta de 6 a 30 minutos no trajeto, cerca de 40 milhões de pessoas, e 1,3 milhão leva mais de duas horas. Para comparar cidades com esses números, é preciso saber o que o levantamento mede, quem entra na contagem e em quais faixas os resultados são apresentados.
Como o IBGE mede o tempo de deslocamento
O que o questionário pergunta
O Censo 2022 inclui uma pergunta sobre o tempo gasto no trajeto até o local de trabalho. A resposta alimenta uma medida de deslocamento casa-trabalho, não o tempo total de todas as viagens do dia. Por isso, os números não incluem trajetos de estudo, compras ou lazer.
Quem entra na contagem
A base de cálculo são as pessoas ocupadas, ou seja, quem tinha trabalho no período de referência do censo. Os percentuais divulgados são calculados sobre esse grupo. Por exemplo, a proporção de 5,6% da capital fluminense refere-se aos ocupados que levam mais de duas horas, não à população total da cidade.
Faixas de tempo usadas na divulgação de 2025
A divulgação de 2025 apresenta os resultados em faixas de tempo. A divulgação destaca duas delas:
| Faixa de tempo do trajeto | Resultado divulgado |
|---|---|
| De 6 a 30 minutos | Maioria dos trabalhadores, cerca de 40 milhões de pessoas |
| Mais de duas horas | 1,3 milhão de pessoas |
As demais faixas não constam da reportagem consultada. Para uma comparação completa entre cidades, use a lista integral publicada pelo IBGE, em vez de estimar as faixas que faltam.
Data e fonte dos resultados
- Data de divulgação: 9 de outubro de 2025
- Órgão responsável pelos dados: IBGE
- Fonte consultada: InfoMoney, reportando o IBGE, edição de 9 de outubro de 2025

Quais cidades têm os trajetos mais longos?
O IBGE, com base no Censo 2022, identificou os 20 municípios com mais de 100 mil habitantes e a maior proporção de trajetos casa-trabalho acima de duas horas. A fonte disponível permite afirmar a distribuição desses 20 municípios por estado, mas não os nomes individuais nem a ordem exata do ranking.
| Estado | Municípios no ranking | Parcela da lista |
|---|---|---|
| Rio de Janeiro | 11 | 55% |
| São Paulo | 7 | 35% |
| Pará | 2 | 10% |
As parcelas foram calculadas sobre o total de 20 municípios. A leitura por estado mostra onde o fenômeno se concentra. A leitura por município, que exige a lista completa, mostra quais cidades lideram.
Peso do estado do Rio: com 11 dos 20 municípios, o Rio de Janeiro responde por pouco mais da metade do ranking. A diferença de quatro municípios em relação a São Paulo indica concentração regional no estado, e não um caso isolado, embora a fonte não detalhe quais municípios compõem a lista.
Pará fora do eixo Rio-São Paulo: os dois municípios paraenses são as únicas entradas da lista fora dos estados do Rio e de São Paulo. Eles representam 10% do ranking, o que mostra que trajetos longos também aparecem no Norte, com peso bem menor.
Capitais e regiões metropolitanas: o que muda?
Ao comparar capitais, a ordem entre as cidades pode mudar conforme o critério: o número absoluto de pessoas afetadas ou a proporção sobre o total de ocupados. Os resultados do Censo 2022 divulgados pelo IBGE mostram essa diferença entre São Paulo e Rio de Janeiro.
Em volume absoluto, São Paulo tem mais trabalhadores com trajeto acima de duas horas: 151.690 pessoas, contra 92.093 no Rio de Janeiro. Em proporção, a ordem se inverte. Na capital fluminense, 5,6% dos ocupados levam mais de duas horas para chegar ao trabalho, contra 3,4% em São Paulo.
| Indicador | São Paulo | Rio de Janeiro |
|---|---|---|
| Pessoas com trajeto acima de duas horas | 151.690 | 92.093 |
| Ocupados com trajeto acima de duas horas | 3,4% | 5,6% |
O volume absoluto indica quantas pessoas são afetadas e, portanto, a dimensão do problema para o poder público e para o sistema de transporte. A proporção indica quanto da força de trabalho local enfrenta o trajeto longo. Uma cidade pode ter mais pessoas nessa situação em números brutos e, ao mesmo tempo, uma fatia menor de seus ocupados nela, que é justamente o caso de São Paulo nesses dados.
A fonte disponível não informa o total de ocupados de cada cidade. Por isso, não é possível converter os números absolutos em proporções nem o inverso. Os dois indicadores devem ser lidos lado a lado, sem tomar um como substituto do outro. Para o conjunto do país, o IBGE divulgou que 1,3 milhão de pessoas levam mais de duas horas no trajeto, valor que ajuda a situar a magnitude dos números das duas capitais.
Qual meio de transporte pesa no tempo de trajeto?
Em âmbito nacional, o automóvel é o meio mais usado para ir ao trabalho, seguido por ônibus, deslocamento a pé e motocicleta. Essa média esconde diferenças regionais grandes, por isso a comparação entre cidades deve considerar a distribuição por meio de transporte, e não apenas o total.
Participação nacional
| Meio de transporte | Participação no trajeto ao trabalho |
|---|---|
| Automóvel | 32,3% |
| Ônibus | 21,4% |
| A pé | 17,8% |
| Motocicleta | 16,4% |
| Trem e metrô | 1,6% |
Os quatro primeiros meios respondem pela maior parte dos trajetos. Trem e metrô somam apenas 1,6% no total nacional, o que indica que, em municípios sem rede sobre trilhos, o tempo de deslocamento depende quase sempre de carro, ônibus, moto ou caminhada.
Variação regional
| Região | Meio predominante | Peso do automóvel |
|---|---|---|
| Sul | Automóvel | 45,9% dos ocupados |
| Norte e Nordeste | Motocicleta | cerca de 21% |
No Sul, o automóvel é o principal meio para quase metade dos ocupados. No Norte e no Nordeste, ele fica em torno de 21%, e a motocicleta predomina. Ao comparar uma cidade sulista com outra nortista ou nordestina, a diferença de meio de transporte é um fator estrutural e deve ser lida junto com a distância e o tempo de trajeto.

Como comparar o deslocamento antes de escolher onde morar?
Para comparar duas cidades, use três indicadores do Censo 2022, divulgado pelo IBGE: a parcela de quem trabalha no próprio município, a faixa de tempo do trajeto e o meio de transporte predominante. Nenhum deles basta sozinho, porque o tempo de viagem depende de onde a pessoa trabalha e de como ela se desloca.
1. Verifique quem trabalha no próprio município
Antes de olhar o tempo de viagem, confirme se os moradores trabalham onde vivem. Segundo o IBGE, 88,4% dos ocupados trabalham no município onde moram. Esse número é nacional, não municipal: ele não indica a taxa de cada cidade. Para um destino específico, é preciso consultar o recorte do próprio município antes de concluir algo sobre o deslocamento local.
2. Cruze a faixa de tempo com o meio de transporte
Depois, associe o tempo ao meio usado. As faixas de menor e de maior duração ajudam a separar um deslocamento rotineiro de um custo diário pesado.
O meio predominante muda conforme a região. O automóvel é o principal meio para 45,9% dos ocupados no Sul, mas para cerca de 21% no Norte e no Nordeste, onde a motocicleta predomina. Por isso, compare cidades da mesma região ou registre a região ao lado de cada resultado.
| Indicador | Dado do Censo 2022 (IBGE) |
|---|---|
| Ocupados que trabalham no próprio município | 88,4% (total nacional) |
| Faixa de tempo mais frequente | 6 a 30 minutos (cerca de 40 milhões de pessoas) |
| Trajeto acima de duas horas | 1,3 milhão de pessoas |
3. Verifique a faixa de tempo dos moradores da área
Como na comparação entre as capitais, proporção e total contam histórias diferentes, e os dois devem ser consultados para o município analisado. A proporção e o total contam histórias diferentes: uma cidade maior pode ter mais casos absolutos mesmo com percentual menor.
Deslocamento, renda e moradia
Comparar cidades pelo tempo de trajeto casa-trabalho exige cruzar dois custos que costumam andar em sentidos opostos: a moradia costuma ficar mais barata longe do centro de emprego, o que deve ser verificado com dados locais, e o deslocamento fica mais caro em tempo e em dinheiro. O que decide a escolha é o saldo entre os dois.
O grupo com trajeto acima de duas horas é o mais exposto ao efeito de morar longe e é a faixa a cruzar com o custo da moradia.
Custo da moradia afastada
O método para medir o custo da moradia por distância é:
- Definir o município ou bairro de trabalho e as áreas residenciais candidatas.
- Obter as transações imobiliárias recentes dessas áreas em fontes públicas locais disponíveis, como registros de transações divulgados pela prefeitura, ou em anúncios de venda, indicando o limite de cada fonte.
- Calcular o preço por m²: valor da transação ÷ área construída.
- Agrupar os resultados por faixa de distância ao centro de emprego.
| Variável | Como obter | Uso na comparação |
|---|---|---|
| Preço por m² (mediana) | Transações ÷ área construída | Custo base de cada área |
| Distância ao centro de emprego | Mapa, em km | Agrupamento por faixa |
| Faixa de tempo do trajeto | Censo 2022 (IBGE), conforme a divulgação por faixas | Eixo de tempo |
Renda e faixas de trajeto longo
A renda do trabalhador define se o aumento de tempo é sustentável. Para cada faixa de trajeto, some o custo mensal do deslocamento (combustível ou tarifa de transporte, pedágio, estacionamento) e compare com a economia mensal obtida na moradia mais barata. Uma residência com preço por m² menor pode resultar em gasto total maior se o percurso ultrapassar o tempo que o orçamento e a rotina suportam.
Esse cálculo deve ser feito por perfil: quem trabalha em horário fixo e quem tem jornada variável sentem o mesmo trajeto de maneiras diferentes.
Limites dos dados do Censo 2022
Os resultados sobre deslocamento divulgados pelo IBGE em 9 de outubro de 2025 medem o município como unidade. Não descrevem bairros nem trajetos individuais, e isso limita o que pode ser concluído ao comparar cidades.
Dados agregados por município: a fonte traz percentuais e contagens por cidade. Por exemplo, 5,6% dos ocupados da capital fluminense levam mais de duas horas, contra 3,4% em São Paulo. Esses valores resumem o município inteiro. Eles não mostram se o trajeto longo se concentra na periferia, em uma zona específica ou em um eixo de transporte. Para comparar bairros, é preciso outra fonte.
Tempo declarado: o tempo de trajeto é informado pelo próprio morador em resposta ao questionário. Trata-se de uma estimativa de quem respondeu, não de uma medição de duração ou de horário. Diferenças pequenas entre duas cidades devem ser lidas com cautela, principalmente quando a faixa de tempo é ampla, como os trajetos de 6 a 30 minutos que concentram a maioria dos trabalhadores.
População ocupada: o recorte inclui apenas quem está trabalhando. Estudantes, aposentados e pessoas fora do mercado de trabalho não entram no indicador. O dado de que 88,4% dos ocupados trabalham no município onde moram indica que a maioria não faz trajeto intermunicipal, mas não informa como esse trabalho se distribui dentro da cidade.
| Limite | O que o dado não permite concluir |
|---|---|
| Agregação municipal | Diferenças entre bairros ou distritos de uma mesma cidade |
| Tempo declarado | Tempo real medido, horário de pico ou variação ao longo do ano |
| Recorte de ocupados | Deslocamento de quem não está ocupado no mercado de trabalho |
Ao comparar cidades com estes números, o uso mais seguro é tratar cada município como um todo. A comparação entre cidades fica válida como panorama geral, mas não basta para avaliar a vida cotidiana em regiões específicas de uma mesma cidade.
Perguntas frequentes
Por que os números do Censo não mostram o tempo total que passo no trânsito por dia?
O levantamento mede apenas o trajeto casa-trabalho informado no questionário, então trajetos de estudo, compras e lazer ficam fora da comparação. Quem quer avaliar a rotina completa de deslocamento precisa considerar esses outros percursos por conta própria.
Uma cidade com 5,6% de ocupados acima de duas horas é pior que outra com 3,4%?
Em proporção, sim: a fatia de ocupados que leva mais de duas horas é maior na capital fluminense (5,6%) do que em São Paulo (3,4%). Em números absolutos, porém, São Paulo tem 151.690 pessoas nessa situação e o Rio tem 92.093, porque a base de ocupados paulistana é bem maior.
Como usar as faixas de tempo ao comparar duas cidades?
A reportagem consultada traz apenas duas faixas de tempo: de 6 a 30 minutos, que reúne a maioria dos trabalhadores (cerca de 40 milhões de pessoas), e mais de duas horas, com 1,3 milhão. Para comparar cidades em todas as faixas, use a lista completa publicada pelo IBGE, sem estimar as faixas que não aparecem na divulgação.