Coqueiro Baixo (RS) tem o maior índice de envelhecimento entre os municípios brasileiros, com 277,14, e Uiramutã (RR) tem o menor, com 5,40, segundo a Revista Pesquisa FAPESP, que reporta dados do IBGE publicados em 27/10/2023. No Brasil, o índice passou de 30,7 em 2010 para 55,2 em 2022. Para comparar dois municípios, aplique as mesmas faixas etárias e o mesmo ano de referência a ambos. O método está descrito abaixo.
Como o IBGE mede o envelhecimento?
O IBGE divide a população em três faixas etárias e usa a faixa de 65 anos ou mais para medir o envelhecimento.
| Faixa etária | Grupo | Papel na medição |
|---|---|---|
| 0 a 14 anos | Crianças e adolescentes | Denominador do índice de envelhecimento |
| 15 a 64 anos | População em idade ativa | Denominador da razão de dependência |
| 65 anos ou mais | População idosa | Numerador dos dois indicadores |
Há dois indicadores principais, e eles medem coisas diferentes:
- Parcela de 65 anos ou mais: o número de pessoas nessa faixa dividido pelo total de habitantes. Mostra o peso do grupo idoso na população. Em 2022, a parcela nacional foi de 10,9%. Entre as regiões, o Sudeste teve a maior parcela (12,2%).
- Índice de envelhecimento: o número de pessoas de 65 anos ou mais para cada 100 pessoas de 0 a 14 anos. Mostra a direção da mudança demográfica, porque compara o grupo idoso com o grupo jovem.
Uma cidade pode ter parcela de 65 anos ou mais menor que outra e, ainda assim, índice de envelhecimento maior, se a população jovem for proporcionalmente menor. Por isso, os dois indicadores devem ser calculados juntos.

Como calcular o índice e a razão de dependência?
Índice de envelhecimento: (população de 65 anos ou mais ÷ população de 0 a 14 anos) × 100.
Razão de dependência: ((população de 0 a 14 anos + população de 65 anos ou mais) ÷ população de 15 a 64 anos) × 100. O resultado mostra quantos dependentes existem para cada 100 pessoas em idade ativa.
Leitura do índice de envelhecimento:
| Valor do índice | Leitura |
|---|---|
| Abaixo de 100 | Há mais pessoas de 0 a 14 anos do que de 65 anos ou mais |
| Igual a 100 | Os dois grupos têm o mesmo tamanho |
| Acima de 100 | Há mais pessoas de 65 anos ou mais do que de 0 a 14 anos |
Leitura da razão de dependência, sempre em relação à população em idade ativa:
| Valor da razão | Leitura |
|---|---|
| Abaixo de 100 | Há mais pessoas em idade ativa do que dependentes |
| Igual a 100 | Dependentes e pessoas em idade ativa são numericamente iguais |
| Acima de 100 | Há mais dependentes do que pessoas em idade ativa |
A razão de dependência soma crianças e idosos. Um município com muitas crianças pode ter razão de dependência alta sem ter índice de envelhecimento alto. Ao comparar cidades, calcule os dois indicadores e verifique qual grupo puxa o resultado.
Quais são os municípios extremos e as referências regionais?
Entre os municípios, Coqueiro Baixo (RS) tem o maior índice (277,14). Isso significa que há muito mais pessoas com 65 anos ou mais do que de 0 a 14 anos. Em Uiramutã (RR), o menor índice (5,40) indica o oposto: a população jovem pesa muito mais que a idosa.
A fonte informa a idade associada a cada município, mas com ressalvas:
- Coqueiro Baixo (RS): 53 anos, sem indicação de se é mediana ou média.
- Uiramutã (RR): 15 anos, sem indicação do tipo de medida.
A diferença entre mediana e média importa na comparação. A média pode ser deslocada por faixas etárias muito grandes ou muito pequenas. Ao comparar dois municípios, use o mesmo tipo de medida para ambos.
Entre as regiões, o Sudeste tem o maior índice (67,8) e o Norte, o menor (27,6). O índice nacional é de 55,2, o que deixa o Sudeste acima da média do país e o Norte abaixo.
Os municípios extremos ficam muito distantes dessas médias regionais. Coqueiro Baixo fica no Rio Grande do Sul (região Sul), cujo índice regional não consta da fonte consultada. Como ordem de grandeza, seu índice (277,14) é mais de quatro vezes o do Sudeste, a maior média regional (67,8). Uiramutã está cerca de 22 pontos abaixo do índice do Norte (27,6 − 5,40 = 22,2). Uma média regional, portanto, não descreve a situação de cada município.
| Território | Índice de envelhecimento | Posição |
|---|---|---|
| Coqueiro Baixo (RS) | 277,14 | Maior entre os municípios |
| Uiramutã (RR) | 5,40 | Menor entre os municípios |
| Sudeste | 67,8 | Maior entre as regiões |
| Norte | 27,6 | Menor entre as regiões |
| Brasil | 55,2 | Referência nacional |
O que mudou entre 2010 e 2022?
Os totais nacionais são os únicos com comparação direta entre os dois Censos nesta análise:
| Indicador | 2010 | 2022 |
|---|---|---|
| Pessoas com 65 anos ou mais | 14,1 milhões | 22.169.101 |
| Parcela da população com 65 anos ou mais | 7,4% | 10,9% |
| Índice de envelhecimento | 30,7 | 55,2 |
O número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 57,4% no período. Esse valor mede o volume do grupo, não o seu peso no total de habitantes. A parcela subiu de 7,4% para 10,9%, o que mostra que o grupo passou a representar uma fatia maior da população.
O índice de envelhecimento passou de 30,7 para 55,2. Como é uma razão, ele depende também do tamanho da população de 0 a 14 anos. Por isso, a variação do índice não deve ser lida apenas como crescimento da população idosa.
A fonte não traz séries anuais. Para avaliar a evolução de uma cidade ou região, é preciso obter os dados de 2010 e de 2022 com a mesma metodologia.

Porte do município altera o envelhecimento?
Os dados consultados não separam o índice de envelhecimento por faixa de população municipal. Não é possível afirmar, com esta fonte, se municípios pequenos envelhecem mais rápido que os grandes.
Hipótese a testar: em municípios menores, a saída de jovens adultos e a queda da natalidade podem elevar o índice mais rapidamente. Em capitais e metrópoles, a chegada de pessoas em idade ativa pode reduzir a proporção de idosos. Trata-se de um mecanismo plausível, que precisa ser confirmado com dados municipais.
Para testar a hipótese:
- Agrupe os municípios em faixas de população (pequenos, médios e grandes), com os mesmos limites para todos.
- Compare o índice entre as faixas dentro de cada região. Assim, o efeito do porte fica separado do efeito regional.
- Verifique se os municípios com maior saída de jovens e menor natalidade também têm os maiores índices dentro de cada faixa.
Onde encontrar os dados do seu município?
A fonte primária é o IBGE, que publica os resultados do Censo por município. A Revista Pesquisa FAPESP pode servir para conferir ordens de grandeza, mas não substitui a tabela original.
| Fonte | Conteúdo | Uso recomendado |
|---|---|---|
| IBGE Cidades | Perfil e tabelas por município | Localizar o município e obter dados básicos |
| SIDRA | Tabelas de população por faixa etária | Obter as contagens de cada faixa, necessárias para os cálculos |
| Revista Pesquisa FAPESP | Reportagem com dados do Censo do IBGE | Conferência de valores nacionais e regionais |
Passo a passo para localizar os dados:
- Anote o nome oficial do município e o código do IBGE, que tem sete dígitos e evita confusão entre cidades homônimas.
- No IBGE Cidades, selecione o município e identifique o ano do Censo utilizado.
- No SIDRA, procure a tabela de população por grupo etário e filtre pelo código do município e pelo ano de referência.
- Registre a fonte, a tabela e o ano junto de cada número. Sem o ano, a comparação com outro município perde validade.
Como comparar dois municípios passo a passo?
Passo 1: fixe o ano e as faixas. Use o mesmo ano de referência e as três faixas (0 a 14, 15 a 64 e 65 anos ou mais) para os dois municípios. Dados de levantamentos diferentes não são comparáveis diretamente.
Passo 2: calcule o índice de envelhecimento. Divida a população de 65 anos ou mais pela de 0 a 14 anos e multiplique por 100, em cada município.
Passo 3: calcule a parcela de 65 anos ou mais. Divida a população de 65 anos ou mais pelo total de habitantes e multiplique por 100. O resultado independe do tamanho da cidade.
Passo 4: calcule a razão de dependência. Some as populações de 0 a 14 anos e de 65 anos ou mais, divida pela de 15 a 64 anos e multiplique por 100.
Passo 5: compare os resultados lado a lado. A fonte consultada traz apenas os índices dos extremos do ranking:
| Indicador | Coqueiro Baixo (RS) | Uiramutã (RR) |
|---|---|---|
| Índice de envelhecimento | 277,14 | 5,40 |
| Idade indicada pela fonte | 53 anos (mediana ou média) | 15 anos |
Parcela de 65 anos ou mais e razão de dependência para esses dois municípios não constam da fonte. Esses valores precisam ser calculados a partir das contagens por faixa do mesmo levantamento.
Conclusão
O índice de envelhecimento mostra a relação entre o grupo de 65 anos ou mais e o grupo de 0 a 14 anos, e a parcela de 65 anos ou mais mostra o peso do grupo idoso no total. Os dois indicadores, calculados com as mesmas faixas e o mesmo ano, permitem comparar municípios com precisão. Os extremos nacionais (277,14 e 5,40) mostram que as médias regionais nem sempre descrevem a realidade de uma cidade específica.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre parcela de 65 anos ou mais e índice de envelhecimento?
A parcela de 65 anos ou mais indica o peso dos idosos no total de habitantes, enquanto o índice de envelhecimento compara os idosos com as crianças de 0 a 14 anos. Dois municípios com a mesma proporção de idosos podem ter índices bem diferentes, porque o índice também depende do tamanho do grupo jovem.
Como comparar dois municípios sem distorcer o resultado?
Use a mesma divisão de faixas etárias e o mesmo ano de referência para os dois, e calcule os dois indicadores juntos. Se um deles tiver dados de outro ano ou de outro recorte etário, a diferença observada pode vir do método e não da realidade local.
O índice de envelhecimento mostra se uma cidade está ficando mais velha?
Não diretamente: ele descreve a relação entre idosos e jovens em um único ano. Para avaliar a tendência ao longo do tempo, é preciso comparar o mesmo município em anos diferentes, como se faz com o índice nacional, que subiu de 30,7 em 2010 para 55,2 em 2022.