Para comparar a violência entre cidades brasileiras, use a taxa por 100 mil habitantes: o número de homicídios dividido pela população e multiplicado por 100.000. A conta converte contagens brutas em uma medida proporcional, o que permite comparar municípios de tamanhos muito diferentes. Segundo o Atlas da Violência 2026, a taxa estimada de homicídios das capitais em 2024 varia de 9,7 em Florianópolis a 52,7 em Salvador.
Que taxa de homicídios usar para comparar cidades?
Fórmula da taxa
- Numerador: total de homicídios do município no ano considerado.
- Denominador: a população de referência do mesmo ano.
- Multiplicador: 100.000.
Exemplo fictício: 100 homicídios em um município de 500 mil habitantes dão (100 ÷ 500.000) × 100.000 = 20 por 100 mil.
Por que taxa por 100 mil e não número absoluto
Um município grande tende a registrar mais homicídios em números absolutos só por ter mais habitantes. A taxa elimina esse efeito. Os dados do Atlas mostram a concentração: cerca de 99 municípios, 1,8% dos 5.570, concentram metade dos homicídios do país e têm 43,4% da população. Ou seja, a contagem absoluta indica onde ocorrem mais mortes, mas não o risco de morte para cada habitante.
| Recorte (2024, taxa estimada por 100 mil) | Valor |
|---|---|
| Salvador | 52,7 |
| Florianópolis (menor taxa entre as capitais) | 9,7 |
| Média das capitais | 26,6 |
Escolha da população de referência
- Use a população estimada pelo IBGE para o mesmo ano do número de homicídios.
- Não combine um numerador de um ano com um denominador de outro, porque isso altera a taxa.
- Verifique se a fonte da contagem e a da população são as mesmas em todas as cidades comparadas.

Atlas da Violência ou Anuário do FBSP?
As duas publicações não usam a mesma fonte de dados, e é isso que faz as taxas divergirem. O Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Ipea com o FBSP, parte de bases do setor saúde. O Anuário do FBSP usa dados policiais.
| Publicação | Fonte de dados |
|---|---|
| Atlas da Violência 2026 | SIM (Ministério da Saúde) e Sinan (Ministério da Saúde) |
| Anuário do FBSP | Dados policiais |
Fontes do Atlas
- SIM: o Atlas parte dos dados de mortalidade do Ministério da Saúde.
- Sinan: também do Ministério da Saúde, usado pelo Atlas ao lado do SIM.
Fonte do Anuário
O Anuário se apoia em dados policiais. Os critérios que ele aplica a mortes de causa indeterminada não são descritos aqui, então confira a metodologia da publicação antes de comparar com o Atlas.
Por que os números divergem
- Origem do registro: o Atlas parte de registros de mortalidade, enquanto o Anuário parte de registros policiais. Cada origem tem critérios próprios de contagem.
- Causa indeterminada: o Atlas reclassifica mortes violentas de causa indeterminada e as soma como homicídios ocultos. Em 2024, o total registrado foi 42.590 homicídios; com os ocultos, a estimativa chegou a 49.673.
Quais capitais têm as maiores e as menores taxas?
Em 2024, a taxa estimada de homicídios mais alta entre as capitais foi a de Salvador, com 52,7 por 100 mil habitantes. A mais baixa foi a de Florianópolis, com 9,7 por 100 mil. A média das capitais ficou em 26,6 por 100 mil. Os valores são estimativas do Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Ipea com o FBSP, segundo reportagem do Bahia Notícias publicada em 26/05/2026. A fonte cita dez capitais, e não todas as 27, por isso o ranking abaixo não é completo.
Ranking das dez capitais citadas
| Posição | Capital | Taxa estimada em 2024 (por 100 mil hab.) |
|---|---|---|
| 1 | Salvador | 52,7 |
| 2 | Maceió | 45,9 |
| 3 | Macapá | 45,6 |
| 4 | Recife | 45,5 |
| 5 | Fortaleza | 42,2 |
| 6 | São Paulo | 15,3 |
| 7 | Goiânia | 14,7 |
| 8 | Curitiba | 13,2 |
| 9 | Distrito Federal | 10,9 |
| 10 | Florianópolis | 9,7 |
Os cinco primeiros e os cinco últimos
Os cinco primeiros colocados têm taxas acima de 42 por 100 mil. Salvador é o único que passa de 50, e Maceió, Macapá, Recife e Fortaleza ficam em uma faixa estreita, entre 42,2 e 45,9.
Os cinco últimos da lista têm taxas abaixo de 16 por 100 mil. São Paulo (15,3) encabeça esse grupo e Florianópolis (9,7) fecha o ranking.
Onde se situa a média
A média de 26,6 não coincide com nenhuma das dez capitais. Entre 15,3 (São Paulo) e 42,2 (Fortaleza) não há nenhuma capital citada na fonte, e a média cai justamente nesse intervalo.
Por que o recorte populacional muda o ranking?
Uma mesma taxa pode colocar um município no topo ou no meio da tabela, conforme quais cidades entram na comparação. O Atlas da Violência 2026 ilustra isso em dois níveis: entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, Maranguape (CE) tem a maior taxa, e, no total nacional, cerca de 99 municípios concentram metade dos homicídios. Filtrar por porte muda a leitura do ranking.
Cidades acima de 100 mil habitantes
Ao excluir os municípios menores, a lista deixa de sofrer a oscilação típica de cidades com poucos habitantes. Nesse grupo, Maranguape (CE) aparece com a maior taxa. Isso vale apenas para a faixa populacional analisada: a posição não se aplica a municípios menores, que ficam fora dessa comparação. Ao citar uma colocação, indique sempre o recorte usado.
Concentração em poucos municípios
Cerca de 99 municípios, 1,8% dos 5.570 existentes, concentram metade dos homicídios do país e têm 43,4% da população. Esses 99 municípios, 1,8% do total, reúnem metade dos homicídios, mas também 43,4% da população. A participação no total de mortes depende em parte do tamanho da população, e a fonte não permite atribuir a concentração a uma causa específica. Por isso, ao comparar, use a taxa por 100 mil habitantes e não só a participação no total de mortes.
Municípios pequenos oscilam muito
Em municípios com poucos habitantes, a taxa depende de um número reduzido de casos. Alguns registros a mais ou a menos alteram o indicador de forma intensa, e um único ano atípico pode mover a cidade várias posições sem que a situação tenha mudado de fato. Por isso, antes de concluir que um município piorou, compare mais de um ano e confira o número absoluto de casos ao lado da taxa.

O que são homicídios ocultos?
Os homicídios ocultos são mortes violentas que não aparecem como homicídio nos registros de mortalidade, porque a causa do óbito fica indeterminada. O Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Ipea com o FBSP e publicado em 26/05/2026, reclassifica essas mortes e as soma aos homicídios já registrados para chegar a um total estimado. Segundo a reportagem de A Gazeta sobre o Atlas, o resultado é um total estimado, que difere do número de homicídios registrados.
A metodologia tem três etapas:
- parte dos dados de mortalidade do Ministério da Saúde (SIM);
- identifica as mortes violentas por causa indeterminada;
- reclassifica parte delas e soma o resultado aos registros, formando o total estimado.
A lógica da conta é simples:
- total estimado = homicídios registrados + homicídios ocultos
- taxa estimada = total estimado dividido pela população, expressa em taxa por 100 mil habitantes
Para o Brasil em 2024, o efeito do ajuste aparece assim:
| Indicador | Registrado | Com homicídios ocultos |
|---|---|---|
| Número de homicídios | 42.590 | 49.673 |
| Taxa por 100 mil habitantes | 20,1 | 23,4 |
A diferença entre os dois totais é de 7.083 mortes, e a taxa nacional sobe 3,3 pontos. Esse ajuste altera a leitura de qualquer comparação, por isso convém registrar qual versão de cada número está sendo usada antes de comparar cidades ou anos.
Onde baixar os dados oficiais?
Há três fontes oficiais para medir a taxa de homicídios por município, e cada uma entrega um tipo de arquivo diferente.
| Fonte | Produzida por | Base de dados | O que entrega |
|---|---|---|---|
| Atlas da Violência 2026 | Ipea com o FBSP | SIM e Sinan (Ministério da Saúde) | Taxas e totais por município e capital, publicado em 26/05/2026 |
| Anuário do FBSP | Fórum Brasileiro de Segurança Pública | Dados policiais | Relatório e tabelas da publicação (confirme os formatos disponíveis no site do FBSP) |
| Microdados do SIM | Ministério da Saúde, acessados pelo DATASUS | Registros individuais de óbitos | Arquivos por ano e por unidade da federação, filtráveis por município |
- Portal do Ipea: localize a edição de 2026 do Atlas e baixe os anexos em planilha, quando disponíveis. Confirme o ano de referência de cada tabela antes de usá-la.
- Anuário do FBSP: o PDF traz o texto e os quadros de análise. As planilhas permitem recalcular taxas por município. Use-as para trabalhar com números de origem policial, que não coincidem com os do Atlas.
- DATASUS (SIM): os microdados trazem cada óbito registrado. Para contar homicídios, é preciso filtrar pelo município de residência e pelos códigos da CID-10 de agressão. Esse processo exige mais tratamento, mas permite recalcular os totais de qualquer cidade.
Confirme os valores das capitais citados neste artigo nas tabelas originais do Atlas antes de reproduzi-los.
Como ler a taxa junto com outros indicadores da cidade?
A taxa de homicídios por 100 mil habitantes mede o volume de ocorrências, mas não explica por que ele existe. Para interpretar uma cidade, cruze a taxa com indicadores socioeconômicos e demográficos do mesmo município, no mesmo ano e na mesma publicação.
| Indicador | Pergunta de leitura |
|---|---|
| Renda e escolaridade | A taxa acompanha a proporção de moradores com baixa renda ou baixa escolaridade? |
| Desigualdade | A diferença entre os grupos de renda do município é grande ou pequena? |
| Densidade demográfica | Quantos habitantes vivem por km² e em que áreas a população se concentra? |
| Estrutura etária | Qual é a fatia de jovens adultos na população? |
| Tendência de cinco anos | A taxa subiu, caiu ou se manteve estável nos últimos cinco anos? |
Este artigo não traz valores de renda, escolaridade, desigualdade, densidade ou estrutura etária. Por isso, a leitura deve ser feita com as séries oficiais de cada município. A taxa sozinha não indica causa. Use esses indicadores como contexto e verifique, com dados locais, se a violência se concentra em áreas específicas do município.
Na densidade e na estrutura etária, a pergunta central é onde e quem. Uma cidade pode ter taxa elevada por causa de algumas áreas muito adensadas, e não do conjunto do território. A proporção de jovens adultos também pode alterar a leitura e deve ser consultada nas séries oficiais do município.
Para a tendência de cinco anos, avalie a série completa e não apenas o último ponto. Um patamar alto e estável tem significado diferente de uma queda recente após um pico. Capitais como Salvador (52,7) e Florianópolis (9,7), com taxas estimadas de 2024, mostram a amplitude da variação, mas essa diferença não pode ser explicada por um único indicador.
Perguntas frequentes
Por que usar a taxa em vez do número bruto de homicídios?
Cidades com mais habitantes costumam registrar mais mortes em números absolutos, mesmo que o risco por pessoa seja menor. A taxa por 100 mil habitantes divide os homicídios pela população, o que permite comparar municípios de tamanhos diferentes na mesma escala.
Os números do Atlas da Violência e do Anuário do FBSP são iguais?
Não necessariamente. O Atlas usa dados do Ministério da Saúde (SIM e Sinan), enquanto o Anuário do FBSP se baseia em dados policiais. O Atlas também soma os homicídios ocultos, mortes violentas de causa indeterminada, ao total estimado, por isso convém conferir a metodologia de cada publicação antes de cruzar os valores.
Como verificar se a diferença entre duas taxas é comparável?
Confirme primeiro que as duas taxas usam o mesmo ano e a mesma base populacional, porque misturar referências altera o ranking. Depois, lembre que a taxa mede a intensidade dos homicídios e não explica a causa; para ver se a violência se concentra em áreas específicas, consulte as séries oficiais de cada município.