Comparar a qualidade do ar entre cidades mostra que a exposição a poluentes depende do município, e não apenas do país. Na média anual de 2023 do relatório da IQAir, citada pelo O Povo, a média nacional de PM2,5 subiu de 12,2 para 12,9 µg/m³. Entre os municípios, os valores ficaram muito distantes: 3,44 µg/m³ em Fortaleza contra 21 µg/m³ em Xapuri (AC).

Por que comparar a qualidade do ar entre cidades?

Variação do PM2,5 entre capitais e interior

O material particulado fino (PM2,5) é o poluente mais usado para comparar municípios. Na amostra citada, o tipo de localidade não basta para prever o resultado:

MunicípioTipo de localidadePM2,5 média 2023 (µg/m³)
XapuriInterior (AC)21
OsascoMunicípio (SP)19,4
ManausCapital (AM)16,8
FortalezaCapital (CE)3,44

Manaus, capital, aparece abaixo de Osasco, que não é capital, e Xapuri, do interior, lidera a lista.

Efeitos de longo prazo na saúde respiratória e cardiovascular

A exposição ao PM2,5 é contínua. Os efeitos respiratórios e cardiovasculares associados ao PM2,5 estão ligados sobretudo à exposição prolongada, mas picos diários também podem agravar sintomas, principalmente em crianças, idosos e pessoas com doença respiratória ou cardíaca. Por isso, a média anual é a base da comparação, complementada pela série diária. Por isso, a referência mais útil para comparar cidades é a média anual, e não um pico diário.

Ao escolher moradia, compare a média anual de vários anos, e não de um único ano. Um município com média alta em vários anos seguidos indica exposição crônica mais elevada. Com dados de um único ano, como os de 2023, não é possível afirmar isso, e a média municipal pode não refletir o nível no bairro.

Ar como fator de qualidade de vida urbana

A qualidade do ar entra na escolha de moradia junto com preços de imóveis, transporte e serviços. Para incluí-la numa comparação:

  • Anote a média anual de PM2,5 de cada município, com a fonte e o ano.
  • Verifique se a média municipal representa o bairro em que você pretende morar. Uma média municipal pode esconder diferenças entre bairros próximos a vias de tráfego intenso ou a áreas industriais.

Por que comparar a qualidade do ar entre cidades?

Quais são os padrões oficiais no Brasil?

A Resolução CONAMA nº 506/2024 é o marco vigente para a qualidade do ar no país. Ela atualizou os padrões nacionais com base nas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), revogou partes da Resolução CONAMA 491/2018 e foi publicada no Diário Oficial da União em 09/07/2024.

Os novos limites não entram em vigor de uma só vez. A resolução organiza a transição em fases intermediárias (PI) até um padrão final (PF):

FaseVigênciaSituação
PI-1Até 31/12/2024Encerrada
PI-2Desde 01/01/2025Em vigor
PI-3Desde 01/01/2033Etapa futura
PI-4Desde 01/01/2044Etapa futura
PFData a definirValores-guia da OMS de 2021, a serem fixados por nova resolução do CONAMA

Para saber qual fase se aplica a uma data, basta localizar essa data na tabela. Até o fim de 2024 valia o PI-1. A partir de 01/01/2025, o PI-2 é o padrão de referência.

O PF corresponde aos valores-guia da OMS de 2021, mas ainda não tem data de vigência. Ele dependerá de uma resolução específica do CONAMA. Até lá, a tabela acima mostra apenas as fases já definidas.

Como funciona o IQAr?

O IQAr (Índice de Qualidade do Ar) reúne as concentrações medidas de vários poluentes em um único número, o que permite comparar cidades sem analisar cada poluente separadamente. O resultado é um valor adimensional, ou seja, sem unidade de medida, ligado a efeitos na saúde. Por isso, um número alto indica pior qualidade do ar, e um número baixo, melhor qualidade, independentemente de quais poluentes tenham causado a variação.

Conversão em valor único

O cálculo transforma as concentrações de cada poluente considerado em uma escala comum e combina essas informações em um único índice. Para comparar duas cidades, a leitura é direta: basta ler o valor do índice para o mesmo período. Não é preciso somar ou ponderar manualmente cada poluente, mas convém verificar quais poluentes entraram no cálculo de cada localidade.

Atualização do método

A Resolução CONAMA nº 506/2024 determinou a atualização da forma de cálculo do índice até 31/12/2024.

Ato ou prazoDataConteúdo
Publicação da Resolução CONAMA nº 506/2024 no DOU09/07/2024Atualizou os padrões nacionais com base nas diretrizes da OMS e revogou partes da Resolução CONAMA 491/2018
Prazo para atualizar a forma de cálculo do IQAr31/12/2024Atualização coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente com os órgãos estaduais e distrital

Faixas de classificação

A leitura do índice é feita por faixas de classificação, cada uma associada a efeitos na saúde. A fonte consultada não detalha os limites numéricos de cada faixa, portanto a tabela oficial deve ser conferida diretamente na resolução ou no órgão ambiental que publicou o valor.

Onde encontrar dados de cada cidade?

Para comparar a qualidade do ar entre cidades brasileiras, comece pelas medições oficiais de cada município. Elas vêm das agências ambientais estaduais e distritais. O MMA e o CONAMA definem os padrões e a forma de cálculo, mas não medem o ar em cada cidade.

Fonte primária: órgãos estaduais e distritais. Cada estado ou o Distrito Federal opera seu próprio painel de monitoramento. A CETESB, agência ambiental paulista, é um exemplo. Ao consultar um painel, verifique três pontos:

  • Quais estações estão dentro do município que você compara, e não apenas na capital ou na região metropolitana.
  • Qual poluente é medido em cada estação. Nem todas medem os mesmos parâmetros.
  • O período coberto pelos dados.

Referência normativa: MMA e CONAMA. Os padrões são escalonados. Para interpretar um valor, confirme qual padrão estava em vigor na data da medição.

Fonte secundária: relatórios da IQAir. O 6º Relatório Mundial da IQAir reúne dados de 2023 de 38 cidades brasileiras. Ele serve para comparar cidades entre si, mas não substitui as medições estaduais. Os valores desse relatório circularam em reportagens, como a do jornal O Povo, de 01/04/2024. Ao citar um número, confirme se ele vem do relatório original ou de uma notícia que o reproduz.

FonteTipoPara que serveVerificação
Agências estaduais e distritaisPrimáriaMedições por estação e municípioConfirmar estações e período
MMA e CONAMANormativaPadrões e regras de cálculoConfirmar o padrão vigente na data
Relatórios da IQAirSecundáriaComparação anual entre cidadesLocalizar o relatório original

Onde encontrar dados de cada cidade?

O que mostram os rankings recentes?

No 6º Relatório Mundial da IQAir, com dados de 2023, a qualidade do ar medida pelo PM2,5 (partículas finas) apresenta um quadro desigual entre as cidades brasileiras.

Uma cidade dentro da diretriz

Fortaleza foi a única das 38 cidades brasileiras a atingir a diretriz anual de PM2,5 da OMS, com média de 3,44 µg/m³. Nenhuma outra cidade da lista chegou a esse patamar, o que torna o resultado isolado no conjunto.

As maiores médias

As quatro cidades abaixo ajudam a dimensionar a diferença entre os extremos da lista:

CidadeMédia anual de PM2,5 (µg/m³)
Xapuri (AC)21
Osasco19,4
Manaus16,8
Fortaleza3,44

Xapuri, no Acre, aparece com a maior média entre as cidades citadas. Osasco e Manaus completam o grupo de piores médias, enquanto Fortaleza fica no extremo oposto da tabela.

Evolução da média nacional

A média nacional de PM2,5 subiu de 12,2 para 12,9 µg/m³ entre os levantamentos comparados, uma alta de 0,7 µg/m³. Um aumento desse tamanho indica a tendência geral do conjunto de cidades, mas não explica o que acontece em cada município.

Como ler esses números com cautela

Os valores citados não vêm diretamente do relatório da IQAir. Eles foram reproduzidos de uma reportagem do jornal O Povo, publicada em 1º de abril de 2024.

Além disso, os dados referem-se a um único ano (2023) e a um único poluente (PM2,5). Eles não bastam para descrever sozinhos a qualidade do ar de uma cidade ao longo do tempo.

Quais limites tornam a comparação enganosa?

Uma comparação entre cidades perde validade quando os valores não partem da mesma base: número e localização das estações de medição, período de referência e cobertura dos registros. Dados oficiais podem estar corretos em cada cidade isoladamente e, ainda assim, gerar um ranking enganoso.

Número e localização das estações

  • Uma cidade com uma única estação mede um ponto, não o território inteiro.
  • Uma estação perto de vias de tráfego intenso ou de polos industriais registra valores diferentes de outra instalada em área residencial ou em parque.
  • Antes de comparar, confira no painel do órgão estadual ou municipal quantas estações operam, onde estão e que tipo de área cada uma monitora.

Médias anuais que escondem picos

A média anual suaviza episódios curtos, como queimadas, períodos de inversão térmica ou dias de baixa ventilação. Duas cidades podem ter a mesma média e perfis diários muito diferentes. Para evitar essa distorção, compare a série diária ou os valores máximos do mesmo intervalo, e conte quantos dias ultrapassaram o padrão vigente naquele período.

Dados ausentes e períodos diferentes

  • Cobertura: uma série com muitos dias sem registro representa uma amostra incompleta. Verifique a proporção de dias válidos antes de usar a média.
  • Período: comparar um ano inteiro com outro mistura referências diferentes. A atualização do cálculo do IQAr também deveria estar concluída até 31/12/2024, o que exige cautela com séries que atravessam essa data.
FatorO que verificarErro se ignorado
EstaçõesQuantidade e localizaçãoA média não representa a cidade inteira
PicosSérie diária ou máximosEpisódios curtos ficam invisíveis
CoberturaProporção de dias válidosMédia calculada sobre amostra incompleta
PeríodoMesmo intervalo de datasMistura de regras diferentes

Como usar o ar na escolha de onde morar?

A qualidade do ar entra na comparação como um critério entre outros, com peso definido pelo perfil de quem vai morar no local. Cada cidade ou bairro recebe uma nota por critério (ar, clima, custo de moradia e transporte), e essas notas são combinadas em uma pontuação final ponderada.

Pesar o ar junto com clima, custo e transporte

Um ar mais limpo não compensa, sozinho, um deslocamento longo ou um aluguel acima do orçamento. Por isso, o ar deve ser pesado e não usado como critério eliminatório, salvo quando houver uma exigência de saúde específica.

Definir o peso do critério conforme o perfil familiar

Os pesos devem somar 100% e refletir as prioridades reais da família:

  • Crianças pequenas, idosos ou pessoas com doença respiratória: peso maior para o ar.
  • Sem sensibilidade respiratória: peso moderado para o ar, com mais destaque para custo e transporte.
  • Trabalho em outra cidade ou deslocamento diário: peso maior para transporte.

Esses valores são uma escolha da família, não um dado público. Registre os pesos antes de comparar, para não ajustá-los depois de ver os resultados.

Montar o ranking final com ranking ponderado

  1. Converta cada indicador em uma nota comparável, por exemplo de 0 a 10, usando a mesma escala para todas as cidades.
  2. Multiplique cada nota pelo peso definido para o critério.
  3. Some os resultados: nota final = soma das (nota × peso).
  4. Ordene as cidades pela nota final e verifique se o peso do ar não está levando a primeira posição para um local com custo inviável.

Perguntas frequentes

Os números de 2023 mostram a qualidade do ar atual das cidades?

Os valores de 2023 vêm de uma reportagem do O Povo sobre o 6º Relatório Mundial da IQAir, publicada em 01/04/2024, e não do relatório original. Como cobrem apenas um ano, descrevem a situação de 2023 e não permitem afirmar uma tendência para o município.

Qual é o padrão oficial de qualidade do ar no Brasil?

A Resolução CONAMA nº 506/2024, publicada no DOU em 09/07/2024, define padrões escalonados: o PI-1 vigorou até 31/12/2024, o PI-2 vale desde 01/01/2025 e o PI-3 começa em 01/01/2033. O padrão final (PF), que corresponde aos valores-guia da OMS de 2021, depende de uma nova resolução do CONAMA ainda sem data definida.

O que é o IQAr e por que ele ajuda na comparação?

O IQAr reúne as concentrações medidas de vários poluentes em um único valor adimensional ligado a efeitos na saúde, o que permite ler a qualidade do ar em um número só. A Resolução 506/2024 determinou a atualização da forma de cálculo até 31/12/2024, com coordenação do Ministério do Meio Ambiente junto aos órgãos estaduais e distrital.