Comparar leitos de UTI por estado mostra quanta capacidade de tratamento intensivo existe perto de onde você moraria. Em 2020, o CFM contou 66,7 mil leitos de UTI no país. O Sudeste somava 24.621 leitos (52% segundo o CFM, que não detalha a base do percentual na ficha) e o Norte, 2.489 (5%). Para escolher uma cidade, essa diferença de oferta pesa mais do que a média nacional.
Por que comparar leitos de UTI por estado
Leito de UTI como sinal de capacidade hospitalar
O número de leitos indica quantos pacientes graves um sistema consegue atender ao mesmo tempo. Os dados disponíveis mostram forte desigualdade regional e crescimento no tempo:
| Indicador | Valor | Fonte e data |
|---|---|---|
| Leitos de UTI no Brasil | 66,7 mil | CFM, com base no CNES, junho de 2020 (sem leitos exclusivos para covid-19) |
| Leitos de UTI no Brasil | cerca de 73 mil | AMIB, relatório divulgado em dezembro de 2024 |
| Variação do total de leitos | De 55 mil (2019) a cerca de 73 mil (2024): aumento de cerca de 33%. A fonte cita 52% em uma década, sem esclarecer a base | Cálculo a partir do relatório da AMIB, 2024 |
| Participação do Sudeste | 52% (24.621 leitos) | CFM, 2020 |
| Participação do Norte | 5% (2.489 leitos) | CFM, 2020 |
Os sete estados do Norte somavam 1.500 leitos do SUS em 2020, menos que os 1.703 do Rio de Janeiro isoladamente. Os números vêm de fontes e anos diferentes, por isso servem para comparar ordens de grandeza, não para medir variações anuais.
Capacidade instalada não equivale a qualidade assistencial
Contar leitos informa quantos existem, mas não como são operados nem com que equipe. As fontes citadas não trazem indicadores de desfecho clínico, então não é possível ranquear estados por qualidade a partir delas.
A AMIB cita como referência de 1 a 3 leitos de UTI por 10 mil habitantes. Esse parâmetro vinha da Portaria 1.101/2002, revogada em 2015 pela Portaria 1.631/2015, que não fixa indicadores objetivos. Ou seja, não há hoje um critério regulatório que diga se um estado tem leitos suficientes.
Impacto de emergências graves para moradores de cada estado
Em uma emergência grave, o tempo até um leito e um intensivista disponíveis pesa mais do que a média estadual. No Amapá, em 2024, havia 213 leitos de UTI, todos em Macapá, e 5 intensivistas. Mais de 290 mil moradores viviam longe de um intensivista e de um leito de UTI.
Para avaliar esse impacto em qualquer estado, siga estas etapas:
- Verifique se os leitos estão concentrados na capital, como ocorre no Amapá.
- Identifique a cidade com leitos mais próxima do seu endereço e a distância até ela.
- Compare o número de leitos com o de intensivistas, já que a estrutura depende de ambos.

Onde ver os dados oficiais de leitos de UTI?
Os números de leitos de UTI no Brasil saem de três tipos de fonte: a base de cadastro CNES, os painéis do DATASUS e os relatórios de entidades médicas, como o CFM e a AMIB. Cada uma tem data de referência própria, e a data de publicação pode ser meses depois do período medido.
Relatórios citados e suas datas
| Fonte | Data de referência | Data de publicação | Total de leitos de UTI | Observação |
|---|---|---|---|---|
| CFM, com base no CNES | Junho de 2020 | 3 de agosto de 2020 | 66,7 mil | Exclui leitos exclusivos para covid-19 |
| AMIB (relatório de 2024) | 2024 | Dezembro de 2024 | Cerca de 73 mil (37.820 SUS e 35.340 privados) | Divulgado também pela imprensa, em 14 de dezembro de 2024 |
Como consultar cada fonte
- CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde): registra os estabelecimentos e os leitos cadastrados. O relatório do CFM citado acima foi feito a partir dessa base. Ao consultar, verifique a competência indicada no sistema.
- Painéis do DATASUS: apresentam os leitos por tipo. Confira na própria página quais filtros estão disponíveis e a data de atualização exibida, porque ela muda a cada revisão.
- Relatórios do CFM e da AMIB: são documentos com data fixa. Use a versão original sempre que possível. Reportagens que citam o relatório, como a publicada pelo Diário do Pará (Folhapress), servem de referência secundária.
Quantos leitos de UTI há por 100 mil habitantes?
A taxa nacional é de cerca de 36 leitos de UTI por 100 mil habitantes, segundo relatório da AMIB divulgado em dezembro de 2024. Esse valor soma leitos do SUS e da rede privada e fica acima da referência da própria AMIB, de 1 a 3 leitos por 10 mil habitantes.
Método de cálculo
A taxa é obtida pela fórmula número de leitos ÷ população × 100 000. Para qualquer território, use o total de leitos de UTI (públicos e privados) e a população residente na mesma área e na mesma data de referência. Se o numerador e o denominador vierem de anos ou fontes diferentes, o resultado não é comparável.
Taxa nacional frente à referência da AMIB
| Indicador | Valor | Base |
|---|---|---|
| Leitos de UTI no Brasil | cerca de 73 mil | Relatório AMIB, dez. 2024 |
| Taxa nacional total | cerca de 36 por 100 mil | Relatório AMIB, dez. 2024 |
| Referência da AMIB | 1 a 3 por 10 mil (equivale a 10 a 30 por 100 mil) | Indicação da AMIB, citada pelo CFM em 2020 |
O total nacional de cerca de 36 por 100 mil supera o teto da referência (30 por 100 mil) em aproximadamente 6 leitos por 100 mil habitantes. A referência também tem caráter limitado: ela constava na Portaria 1.101/2002, revogada em 2015 pela Portaria 1.631/2015, que não fixa indicadores objetivos.
Limites da comparação
A contagem do CFM de 2020, de 66,7 mil leitos, excluía os leitos exclusivos para covid-19. Antes de comparar esse número com a taxa de 2024, confirme a metodologia de cada levantamento.
SUS ou rede privada: qual a diferença?
Em número absoluto, a divisão é quase igual. Segundo o relatório da AMIB divulgado em dezembro de 2024, o Brasil tinha cerca de 73 mil leitos de UTI: 37.820 no SUS e 35.340 na rede privada, uma diferença de 2.480 leitos a favor do SUS. Em 2020, o CFM já registrava uma repartição aproximadamente meio a meio, com base no CNES, excluindo os leitos exclusivos para covid-19.
A contagem absoluta muda de sentido quando o número é dividido pela população. Os valores de 2024 ficam assim:
| Rede | Leitos de UTI (2024) | Leitos por 100 mil habitantes |
|---|---|---|
| SUS | 37.820 | 24,87 |
| Rede privada | 35.340 | 68,28 |
| Total | cerca de 73 mil | cerca de 36 |
As taxas não se somam. Se 24,87 e 68,28 fossem calculados sobre a mesma base, o total seria bem superior a 36. Os números indicam que cada rede usa uma base populacional diferente, e a fonte não detalha qual é a base da rede privada. Por isso, uma taxa privada alta não significa que a população em geral tenha mais acesso a UTI particular.
Como o paciente acessa um leito
A forma de acesso é diferente em cada rede:
- Regulação: no SUS, a internação em UTI em geral passa pela regulação do sistema público. O encaminhamento depende da disponibilidade de vaga e da gravidade do caso, e o paciente não escolhe o leito diretamente.
- Pagamento direto: na rede privada, o acesso ocorre no próprio hospital, por pagamento direto ou por autorização de plano de saúde. A disponibilidade depende do estabelecimento escolhido e do convênio.
Para comparar cidades, o indicador útil é a taxa por rede e a forma de acesso.

Quais estados têm menor oferta de leitos de UTI do SUS?
Em 2020, o Brasil tinha 1,1 leito de UTI do SUS por 10 mil habitantes, mas essa média esconde grandes diferenças entre as unidades da federação. Catorze UFs ficavam abaixo de 1 por 10 mil no SUS: AC, AP, AM, PA, RR, TO, AL, BA, CE, MT, MA, PI, RJ e RN. Os índices iam de 0,44 no Amapá a 0,96 no Rio Grande do Norte. (CFM, com base no CNES, 2020)
Concentração regional de leitos
Os leitos se concentram no Sudeste, enquanto o Norte tem participação pequena:
| Indicador | Valor | Fonte (ano) |
|---|---|---|
| Participação do Sudeste no total de leitos de UTI | 52% (24.621 leitos) | CFM/CNES (2020) |
| Participação do Norte no total de leitos de UTI | 5% (2.489 leitos) | CFM/CNES (2020) |
| Leitos SUS dos sete estados do Norte, somados | 1.500 | CFM/CNES (2020) |
| Leitos SUS do Rio de Janeiro sozinho | 1.703 | CFM/CNES (2020) |
| Participação de São Paulo nos leitos públicos | 24% | CFM/CNES (2020) |
O Norte tem menos leitos SUS somados do que o Rio de Janeiro isolado. Isso mostra que o número absoluto de leitos não indica, sozinho, a oferta por habitante.
Estados com menor oferta por habitante
O indicador por 10 mil habitantes corrige esse efeito. O Rio de Janeiro aparece na lista das 14 UFs abaixo de 1 leito por 10 mil, apesar de ter mais leitos SUS que os sete estados do Norte juntos, porque sua população é muito maior. O Amapá tem o menor índice do grupo, com 0,44.
Dados mais recentes do relatório da AMIB, de 2024, mostram a situação do Amapá em outra métrica: 5 intensivistas, o equivalente a 0,68 por 100 mil habitantes.
Capital ou interior: como a distância pesa?
Os leitos de UTI estão concentrados nas capitais. Segundo o relatório da AMIB divulgado em dezembro de 2024, as capitais tinham 70,39 leitos de UTI por 100 mil habitantes, contra 25,58 no interior. Um estado pode ter um total razoável e, ainda assim, deixar parte da população longe de um leito.
Concentração nas capitais e no interior
| Recorte | Leitos de UTI por 100 mil habitantes (AMIB, 2024) |
|---|---|
| Capitais | 70,39 |
| Interior | 25,58 |
A concentração nas capitais significa que a média estadual esconde diferenças internas. Ao comparar estados, separe o dado da capital do dado do restante do território.
Tempo até o leito mais próximo
Os dados consultados não trazem tempos de deslocamento, então não há um número para este ponto. O método é verificável: consulte o CNES, base usada pelo CFM na contagem de 2020, para identificar em quais municípios há leitos de UTI. Depois, compare o município de residência com os estabelecimentos listados e meça a distância por via rodoviária.
Papel das transferências entre municípios
Quando o município não tem leito disponível, o paciente depende de transferência para outra localidade. As fontes consultadas não quantificam transferências regionais, nem informam como elas são organizadas em cada estado. Para avaliar esse ponto, verifique se o município de interesse dispõe de leitos próprios ou se depende de um município vizinho, e qual é a distância até esse centro de referência. Um município com leitos locais e outro sem leito próprio podem ter acesso muito diferente, mesmo estando na mesma região.
Como usar os dados ao escolher onde morar?
Os indicadores só servem para comparar municípios se estiverem na mesma unidade e no mesmo ano.
| Indicador | Valor | Ano | Referência |
|---|---|---|---|
| Leitos de UTI do SUS por 10 mil habitantes, Brasil | 1,1 | 2020 | CFM |
| Menor índice estadual do SUS (Amapá) | 0,44 | 2020 | CFM |
| Maior índice entre os estados abaixo de 1 por 10 mil (Rio Grande do Norte) | 0,96 | 2020 | CFM |
| Leitos por 100 mil habitantes, capitais | 70,39 | 2024 | AMIB |
| Leitos por 100 mil habitantes, interior | 25,58 | 2024 | AMIB |
| Leitos de UTI no Amapá, todos em Macapá | 213 | 2024 | AMIB |
| Intensivistas no Amapá | 5 | 2024 | AMIB |
Para usar esses números como critério, siga esta ordem:
- Separe SUS e rede privada. Em 2020, cerca de metade dos leitos de UTI do país era do SUS. Se a família depende do sistema público, o índice do SUS é o indicador relevante; o total de leitos inclui vagas que não estão disponíveis para esse atendimento.
- Compare capital e interior do mesmo estado. Em 2024, as capitais tinham 70,39 leitos por 100 mil habitantes e o interior, 25,58.
- Verifique o número de intensivistas, não só de leitos. Um leito sem equipe especializada não representa a mesma capacidade de atendimento.
- Considere o perfil de saúde da família. Para idosos ou pessoas com doenças crônicas, a diferença entre capital e interior pode pesar mais na escolha do que a média nacional. Em qualquer perfil, convém conhecer o hospital de referência mais próximo.
Os indicadores são ponto de partida para comparar municípios. Eles mostram a capacidade instalada da região, não a disponibilidade de vaga no momento de uma emergência.
Perguntas frequentes
Por que os totais de leitos de UTI mudam entre as fontes?
O CFM contou 66,7 mil leitos em junho de 2020, com base no CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde), sem leitos exclusivos para covid-19. A AMIB estimou cerca de 73 mil em dezembro de 2024, e o total de 2019 citado pela AMIB foi de 55 mil. Esses números vêm de anos e métodos diferentes, então servem para comparar ordens de grandeza, não para medir variações anuais.
Quais estados têm menos leitos de UTI do SUS por habitante?
Em 2020, o índice nacional era de 1,1 leitos de UTI do SUS por 10 mil habitantes. Catorze UFs ficaram abaixo de 1: AC, AP, AM, PA, RR, TO, AL, BA, CE, MT, MA, PI, RJ e RN, com valores entre 0,44 (Amapá) e 0,96 (Rio Grande do Norte). As fontes consultadas não trazem a lista completa das demais UFs.
A oferta de leitos de UTI é a mesma na capital e no interior?
Não. Segundo o relatório da AMIB de 2024, as capitais têm 70,39 leitos de UTI por 100 mil habitantes, contra 25,58 no interior. Esse indicador não mostra tempo de deslocamento até um leito nem a qualidade do atendimento.