Preço pedido é o valor que o vendedor anuncia. Preço vendido é o valor declarado na transação. Para medir o que se paga de fato em cada bairro, use o valor registrado, não o anúncio. Os dois podem divergir, e comparações feitas só com anúncios podem distorcer a média.

Preço pedido ou preço vendido: qual a diferença?

O preço pedido aparece em portais e anúncios de imobiliárias. O preço vendido é o valor efetivamente declarado na transação, o que torna esse dado mais útil para comparar bairros. A diferença surge porque a negociação ocorre entre a publicação do anúncio e o fechamento do negócio.

Como separar anúncio e transação registrada

Os dois tipos de fonte têm funções distintas:

  • Anúncio: oferta publicada, sujeita a negociação e a retiradas.
  • Transação registrada: valor informado na operação e vinculado ao imóvel.

Os modelos oficiais disponíveis na base de referência são estes:

ItemSão PauloBelo Horizonte
Campo de valorValor da transaçãoValor Base Cálculo
Campo de localizaçãoEndereçoBairro
Identificação do imóvelNúmero do cadastro13 colunas no total, incluindo áreas
PeríodoArquivos anuais; o do ano corrente é atualizado todo mêsJaneiro de 2008 a junho de 2023

Em São Paulo, cada linha corresponde a uma Declaração de Transações Imobiliárias (DTI) com ITBI pago. Os nomes das partes não são publicados. Em Belo Horizonte, o campo Valor Base Cálculo é uma base de cálculo, e não necessariamente o preço da venda. Confirme no dicionário de dados se ele corresponde ao valor negociado antes de usá-lo como preço real.

Descontos de negociação sobre o preço anunciado

A diferença entre anúncio e fechamento é a margem negociada. A base de referência não traz percentual médio desse desconto, então não é possível estimá-lo a partir dela. Para medir a margem em um bairro, compare a mediana dos valores anunciados com a mediana dos valores registrados.

Por que anúncios inflam médias de bairros

Anúncios tendem a elevar a média de um bairro por três motivos:

  • O preço anunciado é ponto de partida, geralmente acima do valor final.
  • Imóveis que permanecem mais tempo publicados podem pesar mais na amostra de anúncios.
  • Um mesmo imóvel pode aparecer em mais de um anúncio, contado várias vezes.

Transações registradas não sofrem esses efeitos na mesma medida, pois cada operação aparece uma vez. Ainda assim, o valor declarado pode ser uma base de cálculo do imposto e não o preço efetivamente pago, o que deve ser conferido no dicionário de dados.

Preço pedido ou preço vendido: qual a diferença?

Onde encontrar dados oficiais de venda em Curitiba?

Os dados oficiais de preço efetivamente pago em uma venda costumam vir do registro do ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis), porque cada transação gera uma declaração paga ao município. A ficha de fatos disponível traz publicações de São Paulo e Belo Horizonte, mas não confirma quais órgãos de Curitiba publicam esse tipo de registro. Por isso, o procedimento abaixo é de verificação, não de inventário.

Modelos de referência confirmados

MunicípioDados publicados
São PauloTabelas de transações com ITBI pago desde 2019. Cada linha corresponde a uma Declaração de Transações Imobiliárias (DTI) paga. Campos: número do cadastro do imóvel, endereço, valor da transação e cartório. Arquivos anuais em xlsx e ODS; o do ano corrente é atualizado todo mês.
Belo HorizonteRelatório ITBI com transações de janeiro de 2008 a junho de 2023. São 13 colunas, entre elas Bairro, Valor Base Cálculo, áreas e Data Quitação. Licença CC BY.

Como verificar a existência de base em Curitiba

  • Pesquisar o portal de dados abertos da prefeitura de Curitiba por conjuntos ligados a ITBI ou transmissões de imóveis.
  • Se não houver publicação, consultar o setor municipal responsável pelo ITBI e perguntar se existe base de transações disponível para consulta.
  • Para registros estaduais, confirmar se algum órgão do estado publica dados abertos sobre transações. A ficha não traz informação sobre isso, então a confirmação deve ser feita na fonte antes de planejar a análise.
  • Para cada arquivo encontrado, anotar formato (xlsx, ODS ou outro), periodicidade declarada e lista de campos.

Como comparar bairros usando o ITBI?

O valor da transação declarado na guia do ITBI é um dado oficial de preço, que deve ser conferido no dicionário de dados quanto ao que mede, e a comparação entre bairros só é confiável depois de definir o que a coluna mede, quais registros entram no recorte e como tratar valores extremos. Os dois modelos públicos da ficha mostram quais campos costumam estar disponíveis:

RecursoSão PauloBelo Horizonte
Campo de valorValor da transaçãoValor Base Cálculo
Campo de localizaçãoEndereço (com número de cadastro do imóvel)Bairro
Recorte temporalArquivos anuais; o ano corrente é atualizado todo mêsJaneiro de 2008 a junho de 2023 (Data Quitação)
  1. Fixe o campo de valor. Use o mesmo campo para todos os bairros.

  2. Aplique o filtro por tipo, área e período. Separe apartamentos, casas e terrenos, e use faixas de área comparáveis. Misturar tipos de imóvel distorce a média do bairro. Limite o período, por exemplo ao ano de quitação, e compare apenas janelas de datas idênticas.

  3. Trate os valores atípicos e o baixo volume. Defina, antes de publicar, um número mínimo de transações por bairro. Bairros abaixo desse limiar devem aparecer como insuficientes, não ranqueados. Para os extremos, prefira a mediana à média e revise manualmente os registros muito acima ou abaixo do conjunto, verificando se são erros de digitação ou transações atípicas.

Como calcular o preço do m² por bairro (método)

O preço por metro quadrado de um bairro é obtido dividindo o valor pago em cada transação pela área útil do imóvel e, depois, agregando esses resultados por bairro. A comparação só é confiável quando cada venda tem valor e área, e quando cada bairro tem volume de vendas suficiente para representar o mercado local.

Fórmula e etapas

  • Cálculo por imóvel: valor da transação dividido pela área útil, resultando em reais por metro quadrado.
  • Agregação por bairro: reunir todas as transações do mesmo bairro e calcular uma medida central (mediana ou média).
  • Comparação: colocar os bairros lado a lado usando a mesma definição de área.

Mediana ou média

A mediana é mais estável quando um bairro tem poucas vendas, porque um único imóvel com valor muito acima ou abaixo do padrão não a desloca de forma relevante. A média é mais sensível a esses casos e só deve ser usada quando o volume de transações absorve valores extremos. Em qualquer comparação, informe qual medida foi usada e o número de vendas de cada bairro, para que o leitor avalie a solidez de cada valor.

Agrupamento em faixas de preço

Para comparar muitos bairros ao mesmo tempo, organize-os em faixas de preço por m². Um método prático é usar quartis: calcule a mediana de cada bairro, ordene a lista e divida-a em quatro grupos de tamanho semelhante. Assim, as faixas refletem a distribuição real dos dados e não limites escolhidos antes da análise.

Campos nos modelos de referência

  • Belo Horizonte (Relatório ITBI): o conjunto tem 13 colunas, entre elas Bairro, Valor Base Cálculo, áreas e Data Quitação. A coluna Bairro permite o agrupamento direto.
  • São Paulo (tabelas de transações com ITBI pago): cada linha corresponde a uma Declaração de Transações Imobiliárias paga. A ficha lista número do cadastro, endereço, valor da transação e cartório. Não há campo de área na lista, então o cálculo por m² exige outra fonte ou cruzamento com o cadastro do imóvel.

Para Curitiba, aplique o mesmo método somente se a prefeitura publicar registros de transações com valor e área. Sem esses dois campos, não é possível calcular o preço por m² com a metodologia descrita.

Como calcular o preço do m² por bairro (método)

O que o preço não mostra: transporte, serviços e demografia

Dois imóveis com o mesmo preço por metro quadrado podem ter custos de moradia bem diferentes. A diferença aparece quando se mede o entorno: as linhas de ônibus disponíveis, a distância até escolas, unidades de saúde e comércio do dia a dia, e a composição da população do bairro.

Os modelos de dados de transações citados na ficha não cobrem esses pontos. Em São Paulo, os campos publicados são número do cadastro, endereço, valor da transação e cartório. Em Belo Horizonte, o Relatório ITBI traz colunas como Bairro, Valor Base Cálculo, áreas e Data Quitação. Todas descrevem a transação, não o entorno. Por isso, a análise de Curitiba precisa cruzar o preço com outras bases.

Transporte: linhas, terminais e ciclovias

Para cada bairro, meça a partir de um ponto de referência fixo, como o centro do bairro:

CritérioComo medirPor que importa
Linhas de ônibusContar as linhas com ponto a pé do endereçoIndica o número de destinos diretos
Terminal de integraçãoMedir o trajeto até o terminal mais próximoDefine o tempo de deslocamento para o centro
CicloviasVerificar a extensão de trechos contínuos no bairroMostra alternativas ao carro e ao ônibus

Use sempre o mesmo ponto de referência e o mesmo método em todos os bairros, para que a comparação seja justa.

Serviços: escolas, saúde e comércio

Liste, para cada bairro, a distância até a escola mais próxima, a unidade de saúde mais próxima e o comércio cotidiano (mercado e farmácia). Separe o que é de uso diário do que é ocasional, porque um bairro pode ter escola perto e nenhum mercado.

Densidade e perfil etário

Compare a densidade populacional (habitantes por área) e a distribuição por faixa etária de cada bairro. Um bairro com muitos moradores idosos tende a ter outras necessidades de saúde e de transporte do que um bairro com muitas famílias com crianças. Use dados demográficos oficiais e registre a data de referência de cada um, porque a população muda com o tempo.

Como montar sua própria comparação?

Uma planilha reproduzível tem três abas ligadas por uma chave de cruzamento: transações oficiais, correspondência de bairros e indicadores urbanos. Cada aba recebe dados de uma única fonte, e nenhum valor é digitado à mão.

Estrutura de colunas e chaves

  • Aba de transações: uma linha por registro publicado. Colunas mínimas: identificador do imóvel, endereço, bairro, valor, data e área. Os modelos oficiais da ficha variam: São Paulo publica número do cadastro do imóvel, endereço, valor da transação e cartório; Belo Horizonte publica 13 colunas, entre elas Bairro, Valor Base Cálculo, áreas e Data Quitação.
  • Tabela de correspondência de bairros: crie um código fixo (por exemplo, BAIRRO_01) e associe a cada código todas as grafias que aparecem no arquivo. Nomes escritos de formas diferentes para o mesmo bairro são a causa mais comum de totais errados.
  • Chave de período: converta datas para mês ou trimestre antes de cruzar. Se o arquivo mistura data de pagamento e data de referência, separe-as em colunas distintas.
  • Aba de indicadores: uma linha por bairro e por fonte, com o código de bairro como chave.

Checklist antes de publicar conclusões

  • Registrar a data de atualização do arquivo. Em São Paulo, o arquivo do ano corrente é atualizado todo mês, então a data de corte precisa estar escrita na planilha.
  • Verificar o período coberto. O relatório de Belo Horizonte vai de janeiro de 2008 a junho de 2023.
  • Contar as linhas antes e depois de cada filtro e anotar as perdas.
  • Listar os nomes de bairro sem correspondência, em vez de descartá-los em silêncio.
  • Anotar a licença de cada fonte. A de Belo Horizonte é CC BY, o que exige atribuição.

Modelo de tabela final para três bairros

ColunaConteúdoOrigem
Bairrocódigo e nome oficialtabela de correspondência
Registros no períodocontagem de linhas após os filtrosaba de transações
Período cobertoprimeiro e último mês com dadoaba de transações
Valor de referênciamediana do campo escolhido, com o nome do campoaba de transações
Indicador urbanovalor da fonte escolhida, com o ano de referênciaaba de indicadores
Fonte e licençanome do arquivo e termo de usochecklist acima

Preencha uma linha para cada um dos três bairros. O cálculo por metro quadrado entra depois, a partir dessa mesma estrutura.

Perguntas frequentes

Existe uma base pública de imóveis vendidos por bairro em Curitiba?

Nenhuma fonte verificada confirma que a Prefeitura de Curitiba publique dados de transações do ITBI por bairro. As bases verificadas são de São Paulo e Belo Horizonte. Antes de comparar bairros curitibanos com valores registrados, confirme diretamente junto ao órgão municipal se existe esse conjunto de dados.

Posso usar as bases de São Paulo ou Belo Horizonte para estimar preços em Curitiba?

Não. Essas bases cobrem outros municípios, com campos e regras próprios. Em Belo Horizonte, por exemplo, o Valor Base Cálculo é uma base de cálculo, e não necessariamente o preço negociado. Esses modelos servem como referência de estrutura para organizar uma comparação, mas não como fonte de preços para Curitiba.

O que fazer enquanto não houver dados registrados para Curitiba?

Anúncios de portais mostram apenas o preço pedido, que pode diferir do valor efetivamente pago. Se usá-los, deixe isso explícito na comparação e não os apresente como preço de venda. Assim o leitor sabe que a média reflete ofertas publicadas, não transações concluídas.